| |
O pássaro da igualdade
Iradj Roberto Eghrari
Exemplos de mulheres de força, coragem e amor não faltam. Desde os séculos passados até os dias atuais as mulheres travam batalhas constantes para garantir a igualdade entre os sexos. A concepção feminina não admite a luta por superioridade, mas sim pela igualdade. Igualdade nas relações afetivas, igualdade no trabalho, igualdade na vida.
Foi o desejo de igualdade que levou as mulheres às ruas para pedir o direito de voto, a justiça social no trabalho, o direito de ser mulher e mãe e expressar livremente suas idéias e sua fé. Essa não é apenas uma luta das mulheres ocidentais. Há 150 anos, na antiga Pérsia, atual Irã, num país onde a mulher cobria seu rosto com véu, não podia sentar-se à mesa com um homem, que Tahereh, que significa “A Pura”, levantou sua voz e foi às ruas proclamar ao povo as idéias de Bahá’ú’lláh, profeta fundador da Fé Bahá’í. Retirando o véu, mostrou a todos o seu rosto e abertamente defendeu suas idéias, discutindo com doutores da época. Nada a intimidava e afirmava a todos que “a retirada do véu foi em obediência a um dos princípios de sua fé, que defendia a igualdade de direitos entre homens e mulheres.”
A luta de Tahereh foi um exemplo para muitas mulheres orientais que viviam subjugadas e é um exemplo para todos, independentemente de tempo, país ou cultura. A história dessa brava guerreira une-se a de muitas outras, que todos dias travam pequenas batalhas para terem seu direito reconhecido. Essa luta também deve ser nossa. Não basta no Dia Internacional da Mulher apenas fazermos discursos, mas é preciso ações.
Um dia conseguiremos entender que o reconhecimento do papel da mulher e sua emancipação são vitais para o estabelecimento da paz. A negação desta igualdade perpetra uma injustiça contra metade da população do mundo e promove entre os homens atitudes e hábitos nocivos que são transportados do ambiente familiar para o local de trabalho, para a vida política, e, em última análise, para a esfera das relações internacionais.
Não existem quaisquer fundamentos morais, práticos ou biológicos que justifiquem essa privação. Só quando as mulheres forem bem recebidas em todos os campos da atividade humana, num pé de igualdade, é que se criará o clima moral e psicológico de que poderá emergir a paz internacional. A promessa da paz mundial, que reteve-se aos sonhos de poetas e visionários, abandona, agora, suas mentes e invade a humanidade como uma onda que ergue-se por sobre a maré, espalhando uma nova esperança, estabelecendo uma revisão dos antigos valores sedimentados no preconceito e na intolerância – reconhecendo na igualdade entre os seres humanos a premissa básica para o estabelecimento da paz e harmonia entre os homens.
Homens e mulheres devem caminhar juntos, eliminando qualquer noção de superioridade ou dominação, promovendo a valorização da raça humana como um todo, sem violência ou discriminação. Afirmam as Escrituras Bahá’ís: “O mundo da humanidade tem duas asas: o homem e a mulher. Enquanto estas duas asas não estiverem iguais em força, o pássaro não poderá voar. Até que a mulher não alcance o mesmo grau de desenvolvimento que o homem …, os extraordinários alcances da humanidade não poderão ser obtidos…”
* Iradj Roberto Eghrari, Diretor de Relações Institucionais da Comunidade Bahá’í do Brasil
E-mail: ascom@bahai.org.br |
| |
A Comunidade Baháí de Campinas comemorou no dia 12 de Junho último, seus 50 anos de início das atividades em nossa região com uma exposição de fotografias e arte postal.
Dentro das atividades de comemoração dos 50 anos da comunidade Baháí de Campinas foi programada uma exposição fotográfica documentando os últimos 50 anos das atividades baháís em Campinas. Além das fotografias históricas também foi exposta uma coleção de arte postal criada por mais de 200 artistas de várias partes do mundo com o tema “A terra é um só pais e os seres humanos seus cidadãos”, um dos princípios da Fé Baháí de unidade e cidadania mundial.
Dentre as atividades que marcaram nossa comunidade está o registro das iniciativas bahá´ís como a da primeira caminhada pela paz, realizada em 1986; passeatas no dia internacional da mulher; fundação da TV Comunitária de Campinas; organização da ABRAPAZ (Associação Brasileira para a Paz); entre outras.
A Fé Baháí é uma renovação da religião, apropriada para atender as necessidades e resolver os problemas da época atribulada e super-avançada em que vivemos. É uma religião independente possuindo suas próprias escrituras, leis, mandamentos e instituições. Seus ensinamentos não são derivados de nenhuma outra instituição social, religiosa ou filosófica. Foram revelados por seu fundador – Bahá´u´lláh (pronuncia-se Barraulá) – em meados do século dezenove, como a expressão da vontade de Deus para a humanidade da era atual e de eras futuras que a humanidade ainda viverá.
Os Bahá´ís são aqueles que seguem ensinamentos de Bahá´ú´lláh e que se dedicam à causa da paz mundial e à fraternidade humana. Estão espalhados em aproximadamente 127.000 localidades através dos cinco continentes. É uma religião supranacional, inteiramente apolítica, não partidária e oposta a qualquer política ou escola de pensamento que visa enaltecer alguma raça sobre outra, diferenciação de classe social ou de nação em particular. Não há clero ou ritual na Fé Baháí
A Fé Bahá´í é fundamentada na Unidade com respeito a diversidade em todas as suas formas, tanto unidade religiosa como a crença num único Deus. Para isso, seus princípios são:
- A eliminação de todos os tipos de preconceitos
- Harmonia essencial da religião com a ciência e a razão
- Independente pesquisa da verdade
- Igualdade de direitos e oportunidades para o homem e a mulher
- Eliminação dos extremos de riqueza e pobreza
- Educação Universal compulsória
- Um idioma mundial auxiliar
- Uma corte internacional de justiça com plenos poderes
- Um parlamento mundial
- Paz mundial garantida por um corpo executivo mundial
- Solução espiritual dos problemas econômicos em base mundial
- A consulta como método de decisão grupal
|